Por Ramiro Aquino/Jornalista e Radialista (Foto)
A época era ali pela metade da década de 60 e a Rádio Clube de Itabuna (hoje com o estúpido nome de Rádio Nacional) tinha sido adquirida pela Congregação dos Frades Capuchinhos. A transmissão da Missa Dominical foi logo implantada e começava às 18 horas, religiosamente. Logo após a missa entrava um programa musical, cheio de rocks e baladas, animado pelo radialista Jorge Bittencourt (pois é, ele é um dos mais antigos radialistas de Itabuna), hoje um dedicado fotógrafo, que tinha como música de abertura o conhecido sucesso da dupla Roberto e Erasmo Carlos "Quero que vá tudo pro inferno".
Decididamente essa era uma combinação que não podia dar certo, especialmente pela linha religiosa da rádio. Mas como dificilmente o Frei Hermenegildo de Castorano, diretor da emissora, ouvia a abertura do programa, o Jorge continuava tocando os seus rocks e baladas mesmo com a irreverência da música de Roberto e Erasmo.
Mas, a qualquer dia, o Frei Hermenegildo teria que tomar conhecimento do assunto. Soube e não gostou. Foi à Rádio, invadiu o estúdio e, irritadíssimo com a história, chamou às falas o locutor Jorge Bittencourt:
-"Ora, meu filho, eu passo a missa inteira invocando a Deus para dar o céu para os meus fiéis e você vem depois mandando tudo para o inferno..."
E a partir daquele momento nunca mais ouviu-se a música na abertura do programa das noites de domingo. O Frei quebrou o disco em mil pedaços, testemunhas juram que viram o santo homem mandar Jorge para "os quintos do inferno" e talvez seja ele o responsável pela carreira de fotógrafo do Bittencourt que começou a se desenhar exatamente naquela época.
(**) Adaptação de trecho do livro "De Tabocas a Itabuna"
Decididamente essa era uma combinação que não podia dar certo, especialmente pela linha religiosa da rádio. Mas como dificilmente o Frei Hermenegildo de Castorano, diretor da emissora, ouvia a abertura do programa, o Jorge continuava tocando os seus rocks e baladas mesmo com a irreverência da música de Roberto e Erasmo.
Mas, a qualquer dia, o Frei Hermenegildo teria que tomar conhecimento do assunto. Soube e não gostou. Foi à Rádio, invadiu o estúdio e, irritadíssimo com a história, chamou às falas o locutor Jorge Bittencourt:
-"Ora, meu filho, eu passo a missa inteira invocando a Deus para dar o céu para os meus fiéis e você vem depois mandando tudo para o inferno..."
E a partir daquele momento nunca mais ouviu-se a música na abertura do programa das noites de domingo. O Frei quebrou o disco em mil pedaços, testemunhas juram que viram o santo homem mandar Jorge para "os quintos do inferno" e talvez seja ele o responsável pela carreira de fotógrafo do Bittencourt que começou a se desenhar exatamente naquela época.
(**) Adaptação de trecho do livro "De Tabocas a Itabuna"


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